Enfim chegamos ao 7o e penúltimo texto do ciclo de debates Crítica Isolada — Para Pensar O Teatro Em Um Ano de Pandemia. Os textos, você já deve saber a esta altura, são um jeito de revisitar e expandir os debates da semana anterior, a partir das provocações deixadas pelas pessoas convidadas e pelos atravessamentos do chat. Também recomendo que este texto seja lido dentro do contexto gerado pelos seis anteriores e pelo seguinte, como um pensamento contínuo.

O jogo de palavras com o nome do projeto, “Crítica Isolada”, é justamente uma tentativa de olhar o quão isolada e/ou integrada…

[1: Este é o sexto texto escrito para o projeto Crítica Isolada. Três estão aqui e três no ruina acesa , do amilton de azevedo, meu parceiro de idealização e mediação do projeto. A cada encontro, nós + duas pessoas convidadas + as pessoas que nos assistem, refletimos sobre o nosso fazer crítico.

No terceiro encontro, que este texto ecoa, tivemos o privilégio de receber duas profissionais que respeito imensamente: Jocianny Caetano, do Filé de Críticas e Daniele Avila Small, do Questão de Crítica. …

Faço parte de uma geração de críticos de passagens breves (ou nenhuma) por “grandes veículos”, como jornais ou revistas. Ao contrário: sou de um grupo da “mídia alternativa”, que começou e mantém sua escrita em sites, blogs, revistas eletrônicas ou outros suportes.

De 2020 para cá, comecei a me interessar pelo Instagram: minhas críticas passaram a ser publicadas exclusivamente nesta rede social, e com o formato de carrosséis típico da plataforma. O intuito é simples: quero testar um conteúdo e uma comunicação visual diferentes do que experimentava no Medium e demais apps/redes que privilegiam a palavra, e quero ver se…

Este texto é uma reação ao primeiro dia do Crítica Isolada — Para Se Pensar o Teatro Em Um Ano de Pandemia, e à conversa que eu + amilton de azevedo + Maria Eugênia de Menezes + Diogo Spinelli + o público participante tivemos dia 25/03.

Também é uma reação às perguntas que Maria Eugênia e Diogo generosamente nos deixaram.

Perceba que uso o termo “reação”, no sentido de reagir, agir por causa de um estímulo, e não “responder”. Responder pressuporia dar uma resposta única ao enunciado. …

Convenhamos, qualquer um que passou por 2020 merece uma medalha. Quem, ainda por cima, fez teatro neste ano absurdo, merece ainda mais. Como, por exemplo, esta série de posts.

Ainda sobre Ôma

No último post, eu citei Ôma como um exemplo de pesquisa estética interessante, mas gostaria de apontar mais dois elementos do espetáculo que acho que valem a pena olharmos com mais atenção — especialmente porque eles também estiveram presentes em outros trabalhos instigantes: a imersividade/agência do fruidor promovida, sobretudo, pela dramaturgia.

Imersividade & Agência

Artistas puderam, ao elaborar espetáculos online, explorar novas formas de se relacionar com o…

2020 foi um ano muito peculiar.
Foi um ano que nos puxou o tapete e, enquanto estávamos caídos, nos bateu com o mesmo tapete, nos deixando cheios de hematomas, crise de rinite e sem chão.

No meio de todo o caos que foi esse ano, os artistas da cena precisaram se reorientar e pesquisar novas formas de lidar com o teatro — testar os limites, descobrir novas convenções, investigar novas estéticas e formas de fruição e comunicação com o outro.

Passados o estranhamento inicial e a recusa, parece que conseguimos nos emancipar do debate reducionista sobre se isso é o…

Se algumas pessoas têm percebido uma espécie de nova camada de realismo nessa leva de produções transmitidas direto da casa dos artistas — onde cenário se mistura com a casa da pessoa que atua, e a poética da encenação surge da sobreposição ou fricção destes dois campos — é interessante notar como O Desmonte, escrito e encenado por Amarildo Félix e atuado por Vitor Placca, direto de seu próprio apartamento, poderia facilmente se inscrever nesta leva — e o faz, em certa medida, ao mesmo tempo em subverte isso.

Já que O Desmonte narra a história de um homem que…

No mês passado eu fiquei sabendo de um encontro virtual proposto pelo setor educativo de um museu chamado “a insistência de estar junto”.
Esse título ficou na minha cabeça, sobretudo, poque parece resumir bem o momento que vivemos e as iniciativas de teatro tecnomediado (ou online, ou virtual, escolha sua predileta): há, me parece, a insistência das pessoas que produzem essa qualidade de teatro, em ficar junto das outras pessoas através da arte. Uma insistência em se encontrar através do teatro, e de se encontrar com o teatro nesse novo universo.

Alguns espetáculos inclusive levam a investigação do encontro um…

Quem me cantou a bola de que A Desumanização, espetáculo dirigido pelo José Roberto Jardim a partir do livro de Valter Hugo Mãe, foi o José Cetra, um dos caras que mais entende de teatro. E se o Cetra falou, eu que não ia perder.

***

A coisa que mais me chamou a atenção no último trabalho de Jardim (Há Dias Que Não Morro, com as Ultravioletas, uma das melhores coisas que eu vi esse ano e sobre a qual já escrevi aqui) é o rigor estético e como isso representa uma chave de acesso essencial para sua poética. Em…

A primeira coisa que eu pensei quando li que o livro Pós-F: para além do masculino e do feminino ia ser adaptado para o teatro foi “como???”.

Composto por uma série de textos (crônicas, trechos de dramaturgias etc) que versam sobre feminino, masculino, assédio, relacionamentos tóxicos, amor, maternidade, liberdade e outros assuntos complexos, o livro apresenta uma miríade de reflexões de Fernanda Young sobre questões pertinentes à vida contemporânea. Isso resulta numa leitura deliciosa (ela era uma escritora foda) e num livro muito bem produzido: a diagramação, a variação das fontes, as cores das páginas, os desenhos… tudo isso imprime…

Tudo, Menos Uma Crítica

textos reflexivos de Fernando Pivotto sobre teatro que são tudo, menos uma crítica

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